fbpx

Como definir o nível ideal de controle de times

Historicamente, líderes buscam ter o máximo de controle sobre seus times. Essa é uma herança da lógica industrial de que o controle leva ao sucesso. “Se eu garantir que meu time está executando tudo conforme o planejado, o sucesso é certo”. 

Essa lógica em cenários “normais” já traz alguns problemas. Tais como limitar autonomia e engajamento do time, restringir o desenvolvimento das pessoas e sub aproveitar o potencial da equipe. Em cenários de enorme incerteza, como o atual, acentua esses problemas e ainda traz novos: o líder, se envolvendo demais em controlar o time, deixa de investir tempo em ser estratégico. E isso aumenta a chance de “levar o barco rápido para o lado errado”, controlando execuções que não são mais prioritárias ou tão eficientes quanto previsto antes da mudança de cenário.

:: Saiba mais: Esse conteúdo faz parte do nosso programa de Mentoria Online sobre Liderar na Incerteza. Se quiser conhecer os conteúdos abordados e a estrutura do programa, clique neste link.

Os 5 níveis de controle de times

Gráfico ilustrando os cinco níveis de controle de times

Esse modelo, que criamos inspirados em uma das ramificações do Projeto Aristóteles do Google, determina os cinco níveis de controle que o líder pode exercer sobre seus liderados. 

Muitas vezes líderes se percebem em uma dicotomia: controlar ou dar autonomia? Essa ilustração nos ajuda a enxergar que, apesar de opostos, controle e autonomia não são binários. Eles possuem uma escala gradual, que nos permite navegar entre eles sem ficarmos presos aos extremos. 

Como ajustar o controle para o ponto ideal no seu caso

  1. Defina os níveis de controle deliberadamente: escolha diferentes níveis de controle para diferentes aspectos, levando em consideração a maturidade do seu time, sua confiança nele, além do seu contexto de negócio atual e de como ele exige de você e do seu time.
  2. Não importa o nível, a comunicação é essencial: mesmo nos extremos (controle e autonomia) a comunicação é essencial. Ou seja, mesmo se você enquanto líder decidir tudo sozinho, seu time precisa entender claramente o que você decidiu. Assim como se o seu time tiver total autonomia de decisão sobre algum ponto, comunicar você (e os pares) sobre o que está acontecendo também é essencial.
  3. Equilíbrio é a chave do sucesso: se você está em um extremo, ir para o outro de uma hora para outra não vai funcionar. É uma escala: você deve fazer mudanças de forma gradual para evitar colapsos no funcionamento do seu time.

Menor controle de times está diretamente relacionado com maior crescimento 

Uma pesquisa da Gallup, com 143 CEOs das 500 empresas listadas pela Inc.Magazine, mostrou que empresas geridas por executivos que delegam autoridade efetivamente crescem mais, geram mais receita e mais empregos.

pesquisa Gallup sobre performance de talentos e negócios

Especialmente se você está enfrentando um cenário de fortes incertezas, é melhor se mover para em direção a maior autonomia para o seu time. Em cenários que não sabemos claramente por onde seguir, é preciso que o líder atue de forma estratégica, usando o time para ajudar a descobrir as respostas e dar vazão aos projetos, se envolvendo menos na operação.

:: Leia também: Gestão de times: como alinhar e fortalecer a equipe de forma estratégica

Diminuir o controle de times e aumentar a autonomia é importante. Mas precisa alguns cuidados

  • Mantenha controle ponderado sobre alguns aspectos: definição de resultados a serem entregues, comunicação clara e valores são aspectos que não devem fugir ao controle do líder.
  • Quanto maior a autonomia, maior precisa ser o alinhamento: garanta um alinhamento claro em relação a expectativas, resultados esperados e em relação a quais aspectos se espera autonomia e protagonismo de cada um. É essencial que esse alinhamento venha antes da autonomia. Inverter a ordem das coisas faz com que a autonomia concedida seja improdutiva e pode traumatizar o líder, que tenderá ainda mais ao controle.
  • Delegar não é abandonar: é absolutamente vital, não importa o nível de autonomia do time, que o líder mantenha um acompanhamento próximo de aspectos como motivação e desenvolvimento de cada membro. Delegar acima da capacidade das pessoas gera pânico e frustração, enquanto delegar abaixo desmotiva e trava o crescimento. É importante o gestor acompanhar essa relação e manter alinhada a entrega esperada com a capacidade do indivíduo.
  • Conversas 1×1 são importantíssimas: entender e principalmente alinhar com cada membro a sua percepção sobre quais são os pontos fortes e fracos de cada um é essencial. Assim como evidenciar a importância de cada um para o resultado global, que deve ser constantemente reforçada. As pessoas só se engajam e comprometem com o que acreditam e principalmente com o que entendem. Deixá-las em dúvida sobre seu papel e relevância é uma arma contrária ao comprometimento.

Conclusão

Liderar exige lidar com diversos “dilemas”, para os quais não existem respostas certas e absolutas. Liderar é, portanto, um constante exercício de equilíbrio, adaptação e consistência. 

Aprofundar o entendimento sobre esses dilemas, indo além da visão superficial de binariedade, é um passo fundamental para encontrar esse equilíbrio.

Quer receber mais conteúdos como esse? Se inscreva para receber nossa newsletter na página de conteúdos aqui do site 🙂

 

De |2020-04-13T13:00:06+00:00abril 13th, 2020|Categorias: Não categorizado|0 Comentários

Deixe um Comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.