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Como lidamos com os erros?

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    André Flores é facilitador e consultor na PrimeSail. Publicitário de formação e Pós-Graduado em Ciências do Consumo pela ESPM-SUL com especialização em Liderança para Crescimento e Mudança na Columbia University (EUA).

Quanto maior a incerteza, maior a chance de um erro acontecer.

No entanto, o erro foi estigmatizado durante muito tempo no mundo corporativo, principalmente por uma herança da lógica industrial. A busca pela qualidade total e extrema eficiência nas plantas de indústrias (e que faz total sentido em uma linha de montagem padronizada e replicável) acabou transcendendo o chão de fábrica e fazendo com que a baixíssima tolerância ao erro fosse incorporada em todos os setores da empresa.

Hoje vivemos uma “Epidemia do Silêncio”.

Pouco fala de erros nas organizações. Errar ainda é considerado incompetência, ineficiência e incapacidade, que pode levar a sérias reprimendas ou mesmo o temor de uma demissão. Errar (e Falar sobre erros) é um tabu. 

Para entender o tamanho desse desafio fizemos uma pesquisa com centenas de empresas perguntando “De 0 a 10, o quanto você acha que sua empresa é tolerante ao erro?”.

O resultado foi razoável. A nota média foi 6, o que indica uma evolução no diálogo sobre o assunto. Mas um fator nos chamou a atenção. Enquanto para as pessoas que trabalham nas áreas de RH a média foi de 7.75 (30% a mais do que a média geral) o resultado de quem se identificou como “membro de um time” (e não líder) foi de 3.5, um número bastante preocupante, e praticamente metade da média geral.

 

Foi essa discrepância tão grande que me levou a escrever esse artigo.  Esses números nos mostram que ainda existe uma diferença muito grande de tratamento ao erro dentro das empresas, gestores e membros do RH acabam navegando por locais mais tolerantes, mas isso não se reflete em todos as partes das empresas. Existem muitas pessoas e times que vivem diariamente uma realidade de pouca tolerância ao erro, quase nenhum diálogo e onde errar é percebido como sinônimo de baixo desempenho.

Mas, nos últimos tempos, com a ascensão das start ups e seus modelos mais ágeis, os erros estão sendo melhor estudados e colocados numa outra perspectiva. 

Recentemente a professora Amy Edmondson, realizou um estudo em diversos plantões médicos nos Estados Unidos. Tentando entender o que fazia um time de alta performance triunfar em um ambiente dinâmico.

A emergência de um hospital é uma versão potencializada do mundo em que vivemos. Muita coisa fora do nosso controle. Alto risco, e muito em jogo (vidas) em um ambiente extremamente dinâmico, onde os problemas e desafios mudam a todo tempo, e temos um dinamismo enorme entre equipes (membro entram e saem dos “times” o tempo todo, exigindo novas configurações). 

Um dos elementos curiosos que ela encontrou foi que as equipes que tinham melhor desempenho eram aquelas que cometiam mais erros. Isso desafiava o senso comum: erro e alta performance sempre foram opostos. Ela então foi estudar e entrevistar mais a fundo o ocorrido. E descobriu que na verdade os erros eram cometidos em todos os lugares. Mas a diferença é que equipes de alta performance tinham mais naturalidade em tratar do erro. Admitiam e falavam dele com mais frequência. 

 

E assim, faziam com que o erro fosse desestigmatizado. De algo extraordinário, passou a ser algo comum. Com essa naturalidade conseguiam tratar dos erros logo, antes que causassem maiores danos, e, ainda traziam pro time uma cultura de aprendizado constante que ampliava o repertório de soluções. 

Precisamos mudar esse paradigma e entender que errar menos não é sinônimo de alto desempenho.

 

No mundo dos Venture Capitals, a lógica é de 10% de acerto dentro de um portfólio. Ou seja, de cada 10 investimentos apenas 1 vai vingar (e vai pagar por todos os outros). Se um fundo tem uma taxa de sucesso com um percentual muito maior, significa que não estão arriscando o suficiente. (Essa lógica é seguida também por empresas como Netflix e seus shows e pela Amazon em suas iniciativas)

Obviamente nossas empresas não são fundos de investimento com tanta tolerância ao risco. Também não se trata de romantizar o erro, e sim desmistificá-lo. Sabemos que um erro pode ter consequências negativas (desperdiçar dinheiro, diminuir o moral, enfurecer os clientes, prejudicar a reputação etc). Mas a falha é inevitável em ambientes incertos e, se bem gerenciada, pode ser muito útil. Precisamos compreender que o erro é uma “feature” do processo de aprendizado, não um “bug”.

 

Mas como conseguiremos ter novas ideias, novas maneiras e inovar se não temos a coragem suficiente para errar?

A verdade é que no cenário atual, as organizações não conseguirão assumir os riscos necessários para a inovação e o crescimento se não se sentirem confortáveis ​​com a idéia de falhar. 

 

E por aí? Como você, sua equipe e sua empresa lidam com os erros? Quais são iniciativas para normalizar essa conversa e desestigmatizar o erro?

 

Key insights

  • Erro foi estigmatizado pela lógica industrial
  • Na incerteza os erros aumentam muito
  • O erro acontece sempre – Não falar sobre erros não significa que você e sua equipe não estão cometendo eles.
  • Errar é “feature” do processo de aprendizado, e não um bug.
  • Errar é parte do processo da inovação – Não cometer erros pode significar que você não está arriscando/inovando o suficiente

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De |2020-08-12T12:42:28+00:00agosto 12th, 2020|Categorias: Conteúdos|0 Comentários

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