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Engajamento resiliente: entenda esse conceito

Cenários de grande volatilidade e incerteza têm sido cada vez mais recorrente nas empresas. E acabam afetando um elemento fundamental para a alta performance de times de qualquer área: o engajamento das pessoas. 

Existem inúmeras referências apontando que os níveis de engajamento têm caído drasticamente no âmbito organizacional: recentemente, fizemos um trabalho para uma empresa do segmento de óleo e gás que mensurou através de uma pesquisa que o engajamento dos colaboradores caiu 36% durante a pandemia. E de fato, grandes veículos como HBR e MIT têm divulgado dados recentes que corroboram essa percepção.

Mas não é apenas a pandemia que afeta diretamente o engajamento dos nossos times. A GALLUP no seu Global Workplace Report mostrou que quase 70% das pessoas estão de alguma maneira desengajadas dentro das organizações e que, em 85% das maiores empresas do mundo, apenas 6 meses separam a entrada de um novo membro até o seu desengajamento.

Isso nos mostra que o engajamento (ou falta de) é realmente um dos maiores desafios da gestão de times de alta performance. Uma pessoa engajada pode representar até 17% mais produtividade, 21% mais lucratividade, além de menos absenteísmo e rotatividade. Mas, apesar de ser um senso comum de que engajamento importa, as nossas organizações acabam tratando o assunto com superficialidade.

 

 

É importante primeiro entender algumas questões essenciais sobre engajamento.

A primeira e talvez mais importante é o fato de que engajamento e motivação não são a mesma coisa. A motivação é um aspecto muito mais individual e intrínseco: cada um se motiva por seus próprios motivos e ao líder ou gestor cabe “apenas” criar condições e atender necessidades individuais para que as pessoas se motivem. 

Já o engajamento está muito mais relacionado à coletividade – é um compromisso funcional e emocional estimulado por aspectos como autonomia, progresso, desenvolvimento e sentido de justiça, entre outros. Este sim possui uma margem de gerenciamento muito maior por parte do gestor, o que reforça seu caráter de tema essencial à pauta da liderança atualmente.

Outro ponto importante de ser compreendido é em relação aos diferentes níveis de engajamento. Existem o que podemos chamar de engajados, não engajados e desengajados. Os engajados são aqueles colaboradores que entregam bem e possuem uma disposição a mais – aqueles que você pode contar. Os não engajados são os que até entregam bem mas não estão tão dispostos a entregar mais do que o estipulado e são mais resistentes à adaptações ou mudanças. E os desengajados são aqueles resistentes mesmo em um cenário sem mudanças ou adaptações necessárias, e que acabam trazendo mais problemas do que soluções.

É muito comum as lideranças, ao notarem que o engajamento dos times está em baixa, apelarem para elementos como bônus, premiações, folgas, eventos, happy hours, etc… Mas o fato é que esse tipo de política ataca apenas a superfície. São medidas paliativas que trazem resultados momentâneos. Até mesmo as atividades de team building, quando mal conduzidas, caem nessa armadilha. Alguns dias depois, o efeito passa e as pessoas voltam a ficar desengajadas -são o que podemos chamar de medidas “energizadoras”, muito mais do que engajadoras.

É exatamente daí que surge o conceito de engajamento resiliente – ou seja, a capacidade de engajar as pessoas no longo prazo, suportando as mudanças de rumo e de ritmo, cada vez mais recorrentes. Isso não só gera ganhos de produtividade, clima e retenção de talentos como também pode gerar economias financeiras em investimentos que não precisariam estar acontecendo se o problema fosse resolvido na raiz. 

O engajamento resiliente não se trata portanto de medidas mágicas ou subversivas para motivar as pessoas. Ele passa essencialmente por ajustes nas atitudes e práticas de gestão do líder em relação ao seu time, fortalecendo os aspectos coletivos de engajamento para que sejam duradouros.

 

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E como fazer isso na prática?

Aqui na PrimeSail usamos dois pilares para ajudar a liderança a promover o engajamento resiliente: a capacidade de (re)conexão e o desenho da estrutura.

A capacidade de (re)conexão é fundamental para todo líder. A grande maioria das pessoas se desengaja por falta de conexão com suas atividades. As organizações estão desenhadas para o foco na execução de tarefas, olhando as pessoas como recurso para tal. É necessário reconectar os membros do time com:

  • O contexto: muitas vezes esquecemos de mostrar (e inclusive esquecemos de perceber nós mesmos) o contexto mais amplo para os membros do time. Precisamos reforçar os objetivos gerais da empresa, as métricas mais valorizadas, as mudanças de rumo e os valores e comportamentos esperados. Tudo isso é fundamental para o membro do time se sinta valorizado.
  • As consequências: além de conectar com o contexto é preciso mostrar constantemente as consequências do trabalho. Ou seja, como a tarefa realizada por aquela pessoa impacta tanto os objetivos da empresa, quanto para os clientes. Isso ajuda a dar um senso maior de propósito e dá significado para o trabalho.
  • O próprio time: é muito importante as pessoas estarem conectadas com os líderes e com o próprio time, entendendo as suas interdependências e desafios. O engajamento é algo coletivo e é papel da liderança manter essa conexão, com ações de integração frequentes e sessões de 1:1 para ajustes.

 

Já o desenho da estrutura se refere a elementos mais formais de estruturas criadas pela liderança que precisam ser revisitados para ampliar o engajamento. 

Estímulo de pequenas vitórias: em um contexto de incerteza, é bastante normal perdermos a referência de quais são os objetivos a serem atingidos  e mesmo de quão perto estamos de atingí-los. Isso é extremamente desengajador, nos dá uma sensação de estarmos à deriva. É papel da liderança estimular as pequenas vitórias e focar mais na jornada e menos no destino, fazendo com que o time perceba os avanços conquistados. Uma pesquisa da HBR com mais 2 mil pessoas mostrou que a sensação de “dias bons” tem relação direta com aprendizado e conquistas. Portanto é importante promovermos aquilo que chamamos de pequenas vitórias.

 

Foco na jornada: porém focar apenas nos resultados pode ser uma armadilha, já que cada vez mais os erros, experimentações e os riscos assumidos são aspectos importantes do funcionamento dos times. E uma das maneiras de fazer isso é mudar o foco para os APRENDIZADOS – não apenas nos erros cometidos e problemas enfrentados. Sessões periódicas de “lições aprendidas” são um grande trunfo. Além disso, é preciso também estimular o desenvolvimento do membro do time em áreas chave. Fazer com que ele compartilhe novos aprendizados com os demais membros do time também é uma maneira de estimular a sensação de progresso e o crescimento, além da integração.

 

Experimentação e autonomia: um dos elementos chave para o engajamento resiliente é dar voz e responsabilidade ao membro do time, fazer com que ele seja responsável por experimentos (implantação de novas iniciativas) e tenha autonomia na tomada de algumas decisões. Estudos (da HBR) mostram que uma pessoa com autonomia é 45% mais engajada do que uma pessoa sem. Mas é bom lembrar que consideramos esse um estágio mais avançado, já que dar autonomia para um membro totalmente desengajado pode ser altamente improdutivo. 

 

Em resumo:

A falta de engajamento custa muito para as empresas nos dias de hoje. E isso normalmente é combatido com atividades que geram impacto de curto prazo. A solução é focar no engajamento resiliente. Um conjunto de ações e mudança de atitude por parte das lideranças que gera soluções mais duradouras: promove uma ampliação do significado do trabalho e uma maior relevância para os membros do time. Fazendo isso, você conseguir ampliar a produtividade da equipe e manter o engajamento alto por mais tempo – gastando menos. Mas lembre-se, a adaptação é a única constante. Mesmo as políticas de engajamento resiliente precisam ser revisitadas de tempos em tempos. Só assim você vai conseguir de fato manter o time engajado mesmo em cenários adversos.

De |2020-11-16T19:34:12+00:00novembro 12th, 2020|Categorias: Conteúdos, Liderança|0 Comentários

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